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A introdução de novos peixes no Aquário 

 

   Por: Marcelo Jorge Cunha

Não existe experiência mais desagradável para um aquarista do que chegar em uma loja, gostar de um peixe, escolhê-lo com todo o cuidado e vê-lo definhar e morrer em seu próprio aquário em uma semana.

Esta é uma experiência da qual ninguém está livre.  Afinal, muitas vezes, apesar de tomar-se todo o cuidado possível, perde-se um peixe ao mudá-lo de ambiente sem causas aparentes.

Mas muita coisa pode ser feita pelo aquarista para evitar esta contrariedade.

Em primeiro lugar, em se tratando de aquariofilia, não devemos tomar decisões por impulso, principalmente a compra de peixes.  Lamentavelmente, este hábito é o responsável por grande parte dos erros cometidos.

Ao pensar em adquirir uma determinada espécie de peixe, temos por obrigação verificar primeiramente se nosso aquário possui as mínimas condições para receber o novo habitante.  Dados como temperatura da água, ph, dh e alimentação ideais são fundamentais para balizar a nossa decisão.

Não se esqueça de verificar se existe compatibilidade entre o novo peixe e os que você já possui, se for o caso.  

Se as condições não forem ideais,  na maioria das vezes temos de meios de providenciá-las.  Nem que seja             necessário montar um novo tanque.  O importante é que todas as medidas sejam tomadas antes da compra para evitar os dissabores que a nossa precipitação certamente acarretará.

Se todas as condições forem propícias á aquisição do novo espécime, chegou o momento da escolha.

Não compre precipitadamente, visite preferencialmente mais de uma loja de sua confiança antes de escolher os exemplares.  

Evite escolher os peixes que estejam na loja há menos de uma semana.  Desta forma você não se arrisca a adquirir exemplares que tenham sofrido danos irreversíveis no recente transporte.  Além disso, este é um lapso de tempo razoável para adaptação do peixe ao novo ambiente da loja com a redução do stress, bem como para a verificação de sintomas de várias doenças.

Escolha os exemplares mais espertos, coloridos, brilhantes e que estejam com as nadadeiras inteiras e abertas.  

Lembre-se que os peixes jovens adaptam-se mais facilmente aos novos ambientes.

Observe a temperatura da água do tanque e, se possível, peça ao lojista que meça o ph da água a sua vista, na hora da compra.  Isto geralmente evita surpresas.  Certa vez perdi inexplicavelmente dois exemplares de acarás bandeira e só fui             descobrir a causa depois, quando verifiquei que a água do tanque da loja possuía o ph excessivamente alcalino (8,0), enquanto que a do meu aquário era ligeiramente ácida (6,8).   

Verifica-se, nesse caso, que apesar das condições do meu aquário estarem  francamente favoráveis a espécie, a causa do insucesso da compra foi o choque de ph.  Certamente que isso não teria ocorrido se tais condições fossem conhecidas anteriormente.

Partindo da premissa de que todas as diretrizes estejam atendidas, após a escolha do peixe, ainda dentro da loja, alguns pequenos cuidados ainda podem ser decisivos para adaptação do novo espécime no seu aquário.

Primeiramente, mostre os exemplares que você deseja adquirir ainda dentro do tanque ao lojista encarregado da captura.  Pode parecer um excesso de zelo, mas, com certeza, os peixes serão submetidos a um nível de stress menor do que seriam se você fosse escolhe-los após o início do manejo para a captura.

Nesse momento, você não deve tirar os olhos do lojista, pois tudo o que for feito será de importância vital para o sucesso da compra.  Primeiramente, observe se a água colocada no saco plástico de transporte foi retirada do tanque onde está o exemplar que você está comprando.  Caso contrário, o seu novo peixe será submetido a um choque químico abrupto causado pela inevitável diferença de temperatura e ph existente entre as águas de tanques diferentes.

Não permita também que o encarregado da captura faça movimentos excessivamente bruscos para a captura do peixe, pois, se isso ocorrer,o animal poderá entrar em pânico, além de ocorrerem consequências danosas, tais como, perda de escamas, cortes pelo corpo, nadadeiras rasgadas, além de traumatismos nos órgãos internos .

Devemos ainda adotar algumas providências para o transporte do peixe local da compra até o nosso aquário.  Em primeiro lugar, temos que avaliar o período de tempo necessário para o deslocamento.  Normalmente, não teremos maiores problemas se esse tempo for inferior a três horas.  Caso contrário, temos que solicitar do lojista que adote procedimentos especiais, como, por exemplo, a colocação de oxigênio puro dentro do saco de transporte antes de fechá-lo.  A adoção desse simples cuidado, em condições normais, permite que a maioria das espécies possa ficar dentro do saco sem problemas por cerca de cinco horas.

Devemos evitar exposição demasiada da embalagem plástica à luz e às variações de temperatura, que podem ser bastante significativas, considerando o pequeno volume de água.  Conseguimos excelentes resultados utilizando uma bolsa térmica para o transporte dos peixes, pois, ao mesmo tempo, propiciamos o escurecimento do ambiente e evitamos a variação brusca de temperatura, além de proteger as embalagens contra maiores solavancos e traumas.

Ao chegar em casa, finalmente, poderemos iniciar os preparativos para a colocação do peixe em nosso aquário.  Preferencialmente, o novo peixe deve ser colocado em um aquário de quarentena, para evitarmos a propagação de alguma doença que pode estar sendo trazida pelo novo habitante.  Caso isso não seja possível e você tenha que introduzir o novo espécime em seu aquário definitivo, não se tratando de filhotes, nem de matrizes reprodutoras, podemos providenciar um banho profilático dentro do próprio saco de transporte, utilizando-se de produtos de boa qualidade vendidos nas boas casas do ramo (no Brasil dispõe-se de excelente produto chamado Alcon Clean).

Independente de adotarmos ou não o banho profilático, temos de colocar o saco plástico de transporte fechado dentro de nosso aquário.  Após trinta minutos a temperatura já estará nivelada por igual, quando devemos abrir o saco e, gradualmente, introduzir água de nosso aquário dentro dele, obedecendo-se a pequenos intervalos de cinco minutos.

Após quinze minutos aproximadamente já podemos capturar o peixe com uma rede e soltá-lo suavemente em nosso aquário, inutilizando a água que ficar retida dentro do saco plástico.

A partir daí observa-se o comportamento do recém chegado, que, normalmente, apresenta uma certa timidez inicial.  Caso a chegada do novo habitante cause muito alvoroço podemos apagar as luzes do aquário com o objetivo de acalmar os peixes e manter a atenção.

Não se deve insistir em manter o novo peixe no seu aquário se forem observados ataques, perseguições insistentes ou brigas, pois esses são sinais inequívocos de incompatibilidades que não costumam cessar com o tempo, principalmente no caso dos ciclídeos.

A rotina de alimentação deve ser mantida, sendo normal que alguns exemplares fiquem até alguns dias sem se alimentar em decorrência da mudança de habitat.  Caso a inapetência se prorrogue por um tempo excessivamente longo, devemos consultar o lojista com a finalidade de saber qual alimentação estava sendo ministrada ao espécime até o momento da compra.  Esta providência costuma solucionar a maioria dos problemas.

As primeiras semanas são fundamentais para sabermos se a adaptação do peixe transcorreu com êxito.  Se tudo correu bem nesse período, podemos ter a certeza de que teremos sucesso na manutenção de nosso novo animal de estimação em boas condições de saúde e bem estar.  

Marcelo Jorge Cunha é advogado e aquariófilo-pesquisador há 18 anos, e cedeu-nos gentilmente este artigo. O Marcelo vive no Rio de Janeiro, Brasil.

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